terça-feira, 8 de março de 2011

DOS LIVROS

"-Mas pulou no cangote do zebu?
- Que óte! Que ú!...Você acredita que ela não teve coragem?! Naquela hora, nem o capeta não era gente de chegar no guzerá velho-de-guerra. Nem toureiro afamado, nem vaqueiro bom, Mulatinho Campista, Viriato mais Salathiel, coisa nenhuma...E, quem chegasse, era só mesmo por ter vontade de morrer suicidado sem querer...
- Ixe!
- Mas o Calandu cada vez ia ficando mais enjerizado e mais maluco, ensaiando para ficar doido, chamando a onça para o largo e xingando todo nome feio que tem. Aquilo, eu fui bobeando de espiar tanto para ele, como que nunca eu não tinha visto o zebu tão grandalhão assim! A corcunda ia até lá em baixo, no lombo, e, na volta, passava do lugar seu dela e vinha pôr capéu na testa do bichão. Cruz! E até a lua começou a alumiar o Calundu mais do que as outras coisas, por respeito...
- Eu estou quase não acreditando mais, Raymundão...
- Bom, pode ter sido também uma visão minha, não duvido nada...Mas, então foi que eu fiquei sabendo que tem também anjo-da-guarda de onça!..."
"Sagarana" - João Guimarães Rosa
Ed. Nova Fronteira, págs. 36/37

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